segunda-feira, 30 de junho de 2008

MORAL E CÍVICA


Quando eu era adolescente, me lembro bem de uma matéria que escolhemos como uma das piores. Moral e Cívica, da professora Jainer. Ela não ajudava muito, seu ar era arrogante, parecia mais uma informante do regime militar a nos cagüetar e enviar-nos para a coordenação por mau comportamento.

Odiavamos ela, mas aprendiamos a conservar o patrimônio público, a respeitar os mais velhos, a respeitar as hierarquias a zelar pelo que não nos pertencia mais que podiamos usufruir, desfrutar. As pessoas eram mais educadas, não incendiavam ônibus, não depredavam telefones públicos, não urinavam na rua, não jogavam lixo na calçada, não cuspiam pela janela. Quem fizesse isso era logo comparado aos moradores da periferia que não tinham acesso à educação. Não quer dizer que fossemos "santinhos", longe disso, aprontávamos e muito, mas as "cagadas" que faziamos tinham uma certa lógica, eram coerentes com a nossa faixa etária.

Hoje, no entanto, não há mais noção de civilidade nas pessoas. Será que é por falta de informação? Será que lhes falta uma Jainer na vida? Por que não introduzir essa matéria novamente nas escolas desde o jardim de infância? Temos que voltar a ensinar que o espaço dos outros tem de ser respeitado, assim como o nosso. Noções de família, hierarquia, educação, gentileza, civilidade poderiam ajudar esse país a ter habitantes compatíveis com a beleza da cidade que se esvai.

O esfacelamento das instituições, a imagem negativa dos órgãos públicos está proporcionalmente ligado a educação Moral e Cívica de seus habitantes. Retirando os excessos e não levantando bandeira de regimes autoritários. Tenho a dizer o seguinte: Salve a professora Jainer! Ela estava certa.


KM

CIDADE PARTIDA

MILÍCIA

do Lat. militia < milite, soldado

s. f.,
vida ou disciplina militar;

força militar de um país;

por ext. corporação disciplinada;

(no pl. ) tropas de segunda linha.

Como podemos observar, a explicação para a palavra acima, em nada se parece com o adjetivo que bandidos, travestidos de policiais se auto-denominaram.

Lembro bem que há 6 anos, houve uma comoção nacional, quando o jornalista Tim Lopes, foi covarde e cruelmente assassinado. Agora, no início deste mês e com requinte de maldade, três jornalistas foram submetidos à tortura, quando exerciam o direito inalienável do jornalismo investigativo para nos manter bem informados.

A declaração do atual secretário de Segurança sobre o caso, afirmando que a atuação das "milícias" é um crime difícil de se provar, só garante aos mesmos a certeza da impunidade. Curioso isso! Penso eu, que não sou secretário de Segurança, mas um simples cidadão que paga seus impostos, que a primeira coisa que deveria ser feita com esses marginais deveria ser a prisão por sequestro e tortura, facilitando assim a investigação, e posteriormente indiciá-los pelo crime "difícil de se provar".

Ora, ora secretário! Que nesta cidade a violência cometida por facínoras contra o povo indefeso e contra os próprios policiais da "banda boa" já virou rotina, todos nós sabemos. Que a imprensa, cumprindo o seu dever de informação, estampa hodiernamente as barbáries que vivemos, também não é nada novo.

A tortura sofrida por esses jornalistas pelos tais milicianos é preocupante e alarmante. Pois, se com todas as denúncias da mídia continuamos neste caos, imaginem sem elas? É obrigação do Estado encontrar solução para que o jornalismo investigativo continue a ser um instrumento fundamental no combate à violência. Chega de subtrair nossos direitos. Chega!


KM

HOMOFOBIA É CRIME


Se a Constituição diz que todos são iguais perante a lei, independentemente de sexo, raça ou credo, por que, então, tanta polêmica contra o projeto de lei que pune a homofobia? Todos os grupamentos socialmente discriminados alcançaram ou vêm conquistando melhorias ao longo das últimas décadas com o amparo da lei: mulheres, negros, deficientes físicos, idosos. Qual o problema em criminalizar quem atenta contra os homossexuais? De quem estamos falando ao tratarmos desse assunto? De coisas ou de seres humanos? Afinal de contas, não são eles também pagadores de impostos, consumidores, produtivos e que contribuem com seu saber para o avanço do país? É justo cidadãos inseridos dentro do sistema econômico serem execrados publicamente, agredidos fisicamente, demitidos ou terem uma oportunidade de emprego negada por conta de um modo de amar que incomoda?

Se o incômodo maior passa pelas práticas sexuais, mais absurdo ainda. É espantoso como algumas pessoas vão buscar forças para
se mobilizarem por puro preconceito social, ou pseudo intelectualismo e em nome de um fanatismo religioso. Por que essas pessoas que tentaram invadir o Senado Federal para protestar não agitam com a mesma energia a Praça dos Três Poderes para se manifestar contra votações que realmente agridem o povo e que somos, infelizmente, forçados a engolir quase que diariamente?

Sou heterossexual [embora tenha acabado de entrar para a lista negra desses idiotas], acredito numa Energia Superior que chamam de D'us, e tenho convicção de que todos têm direito à sua identidade sexual, que não diz respeito a mais ninguém. Creio também que essas pessoas, que falam tanto em Bíblia, mas não a conhecem, devem ter pulado a passagem do Novo Testamento que tanto acreditam [eu não], onde é ensinado a amarem-se uns aos outros, para não se critricarem e muito menos para atirarem a primeira pedra em quem quer que seja, visto que todos têm telhado de vidro e não há um homem capaz de se eximir de erro.


KM